Neste mês de novembro, queremos ressaltar que a saúde do homem começa desde a infância. O pediatra orienta sobre higiene pessoal e hábitos saudáveis — alimentação, sono e esporte — e esse cuidado desde cedo faz com que o adulto continue a se preocupar com a própria saúde.

Por isso, nós pediatras e hebiatras (médicos de adolescentes) também nos engajamos nessa campanha. Toda prevenção de agravos à saúde deve ser iniciada na puericultura. O pediatra tem uma relação de longa data com a família e, assim, pode prepará-la para desenvolver o autocuidado e falar sobre esses temas de forma natural com os filhos.

Infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) na adolescência

As ISTs na adolescência são um problema preocupante porque muitas vezes não apresentam sintomas, podendo levar a complicações sérias como infertilidade e até câncer se não tratadas precocemente. As mais comuns incluem clamídia, gonorreia, sífilis, HPV (papilomavírus humano) e herpes genital, além das hepatites B e C e do HIV.

O que torna o adolescente vulnerável é a falta de informação clara e sem julgamentos. Por isso a educação em sexualidade e a consulta com o pediatra são tão importantes — assim como o acesso a preservativos sem constrangimento e a carteira de vacinação em dia.

Como se proteger das ISTs

O método mais eficaz de prevenção continua sendo o uso de preservativos. Algumas ISTs, porém, também são prevenidas por vacinas disponíveis no SUS e/ou na rede particular — é o caso do HPV e da hepatite B.

Vacinas essenciais para o adolescente

HPV

O HPV é uma família com muitos subtipos, vários deles ligados a cânceres de colo do útero, vagina, ânus, vulva, pênis e orofaringe, além de verrugas genitais. A vacina quadrivalente está disponível no SUS e a nonavalente, na rede particular.

Hepatite B

A hepatite B é uma infecção viral silenciosa que prejudica o fígado e, sem tratamento, pode evoluir para cirrose. Transmitida por sangue e fluidos corporais, é considerada uma IST, já que a transmissão mais comum é a sexual. A vacina está disponível no SUS.

Outras vacinas importantes para os adolescentes:

Higiene íntima masculina e saúde genital

Dados do SUS revelam que, em média, nove homens sofrem amputação de pênis por semana no Brasil. Medidas simples, como a higienização adequada, evitam a maioria das afecções que acometem os homens.

Como higienizar o pênis?

A lavagem é simples e deve ser feita com água e sabão, no banho. É preciso afastar o prepúcio e expor a glande (cabeça do órgão). A urina que fica sob o prepúcio pode ser ácida e causar inflamação se a higiene não for adequada. Para quem já iniciou a atividade sexual, a limpeza também deve ser feita após a relação. Essa higiene reduz o risco de tumor de pênis e de doenças mais graves.

Saúde dos testículos

Inchaço inexplicável e dor devem ser avaliados imediatamente pelo médico. Existem condições, como a torção de testículo, que, se não resolvidas em poucas horas, podem levar à perda do órgão.

A avaliação periódica também ajuda a prevenir a infertilidade na vida adulta. A varicocele, por exemplo, é causada pelo mau funcionamento das válvulas das veias e pode prejudicar a produção de espermatozoides — geralmente é indolor e é a principal causa de infertilidade masculina.

Fimose

A fimose é a condição em que o prepúcio não se retrai, dificultando a exposição da glande. É uma situação fisiológica que costuma se resolver até os três anos com higiene adequada — metade dos meninos já retrai o prepúcio nessa idade e, na adolescência, quase todos resolvem. Quando não tratada, pode evoluir para câncer de pênis e outras doenças; nesses casos, o tratamento é cirúrgico.

"O cuidado com a saúde do homem começa na infância. Quanto mais cedo a família conversa sobre prevenção, mais natural se torna o autocuidado na vida adulta."

Essas e muitas outras orientações podem ser dadas pelo médico do adolescente, que encaminha ao especialista sempre que necessário.

Cuide da saúde do seu filho desde cedo. A Dra. Elisiane Elias atende crianças e adolescentes em Vila Leopoldina (SP) e Osasco, com orientação sobre prevenção, vacinas e desenvolvimento.

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