Você digita a mil por hora, passa e rola a imagem, ouve áudios em velocidade 2x para não perder tempo. Vive na nuvem — e às vezes se perde nela. Talvez você não imagine, mas há pouco tempo toda mensagem era um bilhete escrito à mão, o telefone servia para conversar e o celular não existia. Você nasceu na geração internética: aprendeu a escrever no tablet e a fazer contas nos jogos de computador.
Seu celular quase faz parte do seu corpo. E é justamente por isso que vale a pena conversar: 30 de junho é o Dia Internacional das Redes Sociais. (Sim, já sabemos que você não curte textos longos — mas vai nos perdoar.)
Um pouco da história — e ela é fascinante
A primeira rede social do mundo foi a SixDegrees, lançada em 1997: permitia criar perfis, fazer amigos e se conectar com pessoas, mas saiu do mercado em 2001. Depois vieram o Friendster e o Fotolog (2002) e o MySpace (2003), que revolucionou ao permitir personalizar perfis, compartilhar músicas e conectar amigos.
Em 2004 surgiu o Orkut, ligado ao Google, que fez enorme sucesso no Brasil com seus "scraps" e comunidades — chegou a mais de 300 milhões de usuários antes de ser desativado em 2014. No mesmo ano, Mark Zuckerberg criou o Facebook, que se tornou a maior rede do mundo. Vieram ainda o LinkedIn (2003/2004), voltado a profissionais; o Twitter (2006) e suas mensagens curtas; o YouTube (2005), maior plataforma de vídeos; o Instagram (2010), comprado pelo Facebook por US$ 1 bilhão em 2012; e, mais recentemente, o TikTok (2016), famoso pelo algoritmo que personaliza os vídeos para cada usuário.
Os benefícios são muitos
Todos conhecem as vantagens: viajar pelo mundo pela internet, conhecer e reencontrar pessoas, trabalhar e estudar a distância, fazer cursos, pesquisar e ter respostas imediatas a quase qualquer pergunta. Na pandemia da Covid-19, as redes foram a forma de aproximar pais, filhos e avós, participando de eventos e aniversários e diminuindo a distância e a saudade.
Os riscos que você não pode ignorar
Mas nem tudo são benefícios. Há prejuízos importantes: a falta do contato físico — o beijo, o abraço, o aconchego — e o isolamento dos adolescentes no quarto, longe do olhar dos pais. Esse isolamento aumenta a exposição a fake news, ao uso indevido da imagem, ao uso e abuso da sexualidade, ao bullying e ao cyberbullying.
Cuidado também com o hábito de enviar nudes para pessoas que você mal conhece: essas imagens podem se espalhar pelas redes. E existe o sharenting — quando os próprios pais expõem demais os filhos —, que pode, inclusive, alimentar redes de pornografia infantil e afetar a saúde mental das crianças no presente e no futuro.
O abuso das telas também traz problemas de saúde: dependência, alterações do sono, irritabilidade, ansiedade, depressão, transtornos alimentares, sedentarismo, sobrepeso, obesidade, alterações de colesterol e triglicérides, problemas visuais e dores osteomusculares por posições inadequadas e movimentos repetitivos.
Quanto tempo de tela é saudável?
A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda o menor tempo de tela possível:
- 0 a 2 anos: tolerância zero
- 2 a 5 anos: até 1 hora por dia
- 5 a 10 anos: até 2 horas por dia
- 10 a 18 anos: até 3 horas por dia
"Telas" inclui celular, computador, tablet, televisão e videogame. O ideal é dividir esse tempo ao longo do dia, entre estudo e lazer — não usar tudo de uma vez. Os computadores devem ficar de preferência em áreas comuns, como a sala, nunca em quartos isolados, e os sites visitados devem ser acompanhados pelos pais, inclusive para orientação de conteúdo e bloqueio do que é inadequado para a idade.
Uma reflexão final
Você é membro de uma rede mundial e, por mais atrativa que ela seja, não é o seu mundo inteiro. Com um clique você conhece o mundo, pessoas e coisas que nunca imaginou — mas já parou para se olhar? Você se conhece bem? Conhece as pessoas que mais ama e que convivem com você? Quantas vezes você está triste e posta como se fosse a pessoa mais feliz do mundo? Para quê? Por quê?
"Seja você mesmo, aceite-se com seus erros e acertos, abrace, beije, ame, seja feliz! Existe todo um mundo real a ser descoberto, tocado e sentido — e uma rede real de amigos e familiares que aguardam por você mais presente."
Texto assinado por: Mauro Fisberg (CRM 28119) — coordenador do CENDA, Instituto PENSI/Sabará Hospital Infantil, e professor do Setor de Medicina do Adolescente da Escola Paulista de Medicina/UNIFESP; Maíra Pieri Ribeiro (CRM 163712) — médica pediatra e hebiatra, coordenadora e fundadora do Ambulatório de Hebiatria da PUC-Campinas; e Elisiane Elias Mendes Machado (CRM 71423) — médica pediatra e hebiatra, vice-presidente do Departamento de Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo e coordenadora da Saúde da Criança e do Adolescente de Osasco.
Dúvidas sobre o uso de telas pelo seu filho? A Dra. Elisiane Elias ajuda famílias de Vila Leopoldina (SP) e Osasco a construir uma relação equilibrada com a tecnologia.
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